terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

DESISTO!


Já não suporto mais esta forma de a vida me fazer crescer,
Sempre a testar os meus limites,
Na esperança,
No Amor,
Na Raiva,
(...)
Se ainda estou em testes...
Rendo-me,
Já não aguento mais,
Chumbei e pronto,
Desisto!

É demasiado doloroso para nem sequer valer a pena...
Este aperto...
Este nó...

Porque me testas tu desta forma?!
Se por mais esperança e paciência que tenha...
Não me recompensas?

Será pedir muito ter algo que vale a pena sorrir?!


='(

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Porquê?!


Quando olhamos à Razão
...
E Ela diz que Não
...
É Justo ir contra o que sentimos
...
Ou simplesmente a ignoramos
...
E aceitamos a situação?!

»»~««

É que a Confusão
...
É mais horrenda
...
Que a Certeza

»»~««

Acho que prefiro
...
Ter uma Certeza que magoa
...
A uma Incerteza
...
Que ocupa todos os segundos do dia
...
Nos corrói
...
Entra dentro dos nossos sonhos
...
E não nos deixa prosseguir

»»~««

Porque é que a Razão
...
Se acha dona de Nós?
...
Porque não deixa apenas
...
Que o Sentimento
...
Nos Acompanhe
...
Seja Para Onde For
?!?


:( Estou Cansada ):

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dúvidas


E porque razão a necessidade não é o mesmo que gostar?
Porque temos de escolher o que precisamos,
Em vez de seguirmos o que amamos?
Faz-me sentir inútil e com uma grande vontade de parar e pensar.
O que estamos realmente a fazer aqui?
A servir desconhecidos?
Ou a realizar os nossos sonhos?
Porque é que só alguns têm direito a realizar os seus?
E porque alguns são somente intermediários para os outros os alcançarem?
Porque me sinto tão presa e com tanta vontade de arriscar?
Porque não consigo mas quero tanto lutar?
Porque é que olhamos para os que não olham para nós,
E desviamos o olhar de quem não desvia o olhar de nós?
Porque tenho tantas dúvidas e não as consigo entender?
Porque não consigo ter a força de vontade que deveria ter?
Porque não consigo respostas quando me questiono constantemente?
Porque sinto que alguém me controla frequentemente a minha mente?
Afinal, eu sou eu, ou apenas um fantoche de outra gente?

domingo, 22 de janeiro de 2012

BOSSA AC - ESTOU VIVO




Mais um dia, mais um mês, mais um ano
Pouco a pouco, de repente o tempo voa
Estamos cá e amanhã estivemos
Perdemos tempo, lamentamos e queixamos
Acordamos mal dispostos sem vontade e nada fizemos
Life's a bitch and then you die
Aproveita, não te queixes, dá graças ao que tens
Há quem nada tenha
Damos tanta importância a coisas que nada importam
De repente alguém nos deixa e vemos que temos senha
Estamos todos na mesma fila, não sabemos o nosso nome
Nada é certo, amanhã pode não chegar
Tão fácil falar o que é difícil é fazer
E quando as coisas não tão bem podem piorar

(Refrão)
Ei! Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vou viver a vida!

Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vivo!

É ver o copo meio cheio, meio todo, falta pouco
É ver o lado de lado da mesma moeda
Planos traçamos mas depois adiamos, desistimos
E a vida é sempre a mesma merda
Ninguém te ajuda quanto tu não te ajudas
E não fazes nada para mudar a tua vida
É bom sonhar mas é preciso acordar para concretizar
E encontrar uma saída
Falo contigo e comigo e para todos
Os que vivem o presente com medo do futuro
Nós não pedimos para nascer, já cá estamos
É viver porque amanhã é um tiro no escuro
É relativo, o teu drama mais terrível
Ao pé do drama do outro parece um filme para crianças
A vida dá-nos prendas e às vezes só damos valor
Quando essas prendas já não passam de lembranças

(Refrão)
Ei! Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vou viver a vida!

Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vivo!

Tem calma, não te estiques, abranda o carro, dá espaço
Pé pesado dá multas mas também dá condolências
Faz brindes bebe shot's
Parabéns, felicidades, 'tás feliz?
Mantém-te assim sem imprudências
Vai de táxi, vê se dormes, olha a ressaca
Acorda bem, toma banho, desperta e faz-te à luta
Todos temos que partir um dia
Vamos parar mas a parar, ao menos que seja não à bruta
Há quem pense que é de ferro
Que só acontece aos outros
Não te enganes, pensa bem, o outro dia és tu
Dei por mim capotado, vi a vida por um fio
Flash back na A1 eu e o Xuxu
A gritar "Tipo gajas, grande susto
Não foi desta, estamos bem." e a esperar pela assistência
Moral da história:

vive a vida, aproveita
Porque a vida dá voltas e num avisa com antecedência

(Refrão)
Ei! Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vou viver a vida!

Vive a vida
Tira proveito até ao fim da corrida
Põe-te de pé e grita bem alto
Eu estou vivo e vivo!

Estamos todos de parabéns
Pelo simples facto de estarmos vivos
É viver cada dia como se fosse o último
O amanhã não é certo
E p'ra morrer basta estar vivo
Hoje é uma dádiva, é por isso que se chama presente
Aproveita

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Carta aberta ao Sr. Primeiro Ministro (Myriam Zaluar)



Exmo Senhor Primeiro Ministro

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome “de guerra”. Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.

Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.

Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. “És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro.” – disseram-me – “Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção”. Fiquei.

Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. “Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante”. Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira ‘congelada’. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como “nativa”. Tinha como ordenado ‘fixo’ 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas…

Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci – felizmente! – também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.

Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.

Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar…

Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores – e cada vez mais raros – valores: um ser humano em formação.

Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.

Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro

e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus

Myriam Zaluar, 19/12/2011


(Sem dúvida, a melhor carta que já li até hoje. E quem me perguntar "Porque não emigro?", leia esta carta e entenderá o porquê. Porque "este país também é meu.")

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Silêncio!


Confia no meu silêncio,
somente quando ele contar a verdade,
pois quando não ouves as minhas palavras,
quase sempre há um pontinho de mentira,
não propriamente de mentira,
mais concretamente de omissão.
E se, por puro acaso, conseguires ver,
no meu silêncio,
um ponto de verdade... Parabéns!
É porque acabaste de conhecer
o que sustenta a minha alma intacta.
Talvez já tenham entendido parte do meu silêncio,
mas, na sua totalidade, nunca o fizeram
e quando me disserem, por palavras ou não,
o que eu não ouso dizer,
darei valor a essa pessoa para o resto da minha vida.
Pois é preciso muito mais que amizade para entrarmos
dentro da alma de alguém e reconhecer os seus sentimentos,
desejos e anseios, como só a própria pessoa o conhece.

Desafio a qualquer pessoa que tente desfazer o mistério do meu silêncio,
mas aviso desde já, de que não será uma tarefa fácil.

Paz e Saúde!!! (())